quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Pequeno abismo entre vidas

Após pouco mais de dois meses, volto aqui com alguns sentimentos renovados e outros...

Como tem se repetido sucessivamente, uma série de fatores mudam e alternam dia-a-dia. Tive de encarar uma dolorosa separação, que também poderia ser descrita como cruel pela forma e os motivos que levaram a esta situação. Superação talvez não seja suficiente, mas aprender a lidar com a ausência e as tristezas corriqueiras será essencial. Em contrapartida, algumas notícias animadoras em relação ao meu tratamento; vou bem, ao contrário do que pensava. Correspondo satisfatoriamente e é uma questão de rotina controlar o que acontecerá daqui para frente. Claro que isto não é confortável, como para ninguém que vivencia os meus males, mas já afasta a curto prazo as ideias pessimistas que inevitavelmente fazem parte de mim e de todos.

Um pequeno drama familiar instalou-se devido algumas situações que fugiram de meu controle. Medos, informações desencontradas e um pouco de azar estão contribuindo para que tudo seja um pouco mais difícil, ainda que o tempo se encarregue de consertar. O fato de ter de interagir sobre isso (meus males) com pessoas tão fundamentais e importantes é o que realmente torna tudo tão impossível. Essa situação familiar, aliás, tem tornado meus dias peculiares, pois me sinto como um adolescente conquistando novamente seu espaço, seus diretos e suas liberdades...

Liberdade, essa, aliás, é o grande tom do mês de novembro. Daqui exatos oito dias estarei embarcando para Florianópolis, minha primeira viagem após o terremoto que sacudiu a minha vida. Tenho um medo quase assustador das noites fora de casa, do que posso transparecer nelas e da "solidão" responsável. Mas também quero muito voltar a ser feliz e fazer o que mais gosto... sendo assim: não vejo a hora!

Mudando de alhos para bugalhos, o que realmente me trouxe aqui hoje foi uma necessidade sem igual de colocar para fora um sentimento de tristeza que me consome desde esta manhã. Uma conhecida, que pouco convivi há uns 6 anos atrás, época em que frequentei um projeto de canto coral e violão, veio a falecer na noite passada, decorrente de um linfoma raro. Já seria muito triste, além de tudo por ser uma menina tão jovem e cheia de perspectivas, mas as circunstâncias e o nível emocional que me encontrou fizeram com que essa notícia caísse como uma bomba. Passei o dia vendo fotos e palavras dessa menina durante toda sua luta e as lágrimas passaram a cair com maior intensidade. Quem vive essa realidade de sentir a morte próxima, ainda que física e/ou aparentemente você esteja bem (para terceiros, porque até que se consiga aceitar e conviver pacificamente com a enfermidade, me parece impossível para si mesmo), sabe como é doloroso e como mexe histórias como esta. Li o sofrimento de seus amigos e mãe, pensei em como seria se fosse minha vez. Senti a dor de todos que ali estavam sensibilizados. Provavelmente não me conformarei com seu destino e não arrancarei de meus pensamentos àquelas palavras e imagens, mas enquanto esse sentimento perdurar em mim, vou rezar e pedir para que sua alma esteja protegida e olhando por aqueles que precisam dela.

A vida é curta... é tão curta que quando percebemos, ela já está longa demais para nós e já é hora de cumprir uma nova missão!

Que o amor, a paz, a saúde, a luz e a vida nos acompanhem em todos os planos.

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

My own

Parece interminável minha busca por sentidos. Alguns estudiosos gostam de compartilhar a ideia de que o ser humano vive numa eterna busca, é inacabado; eu refuto. Acho absolutamente insuportável esse estilo social cotidiano. Não que seja minha única justificativa para contrariar essas ideias, mas parte desse simples pressuposto de tédio.

Entre minhas novas indagações e indignações, a liberdade é o foco. Cada palavra, principalmente as bem ditas, tornam-se alvo de espanto e passam a respaldar uma teoria da conspiração insana sobre o porquê disso ou daquilo. Eu falo sobre escolhas, ou sobre como perdemos a capacidade, dia-a-dia, de fazê-las por conta própria.

Desisti de qualquer assistência, de qualquer entendimento; dispenso opiniões e, desesperadamente, questionamentos. Não posso mudar o mundo das pessoas, mas hei de tornar o meu mais brando à essas inquietações que me assolam. Talvez não seja sentido o foco de minha busca. Talvez seja apenas serenidade.

sábado, 27 de julho de 2013

E o vento... levou?

O primeiro mês ficou para trás
Nada lá fora mudou
Aqui dentro, os equivalentes estão irreconhecíveis
Dúvidas exclamativas
Interrogam minhas alegrias
E agora
Quem ficará para trás?

sábado, 25 de maio de 2013

Noites

As noites são impiedosas. Revelam, dia após dia, minhas fraquezas e tristezas.
A noite, tão bela, torna-me feliz, leva-me aos deliciosos pecados quais nunca arrependi.
A noite, tão sincera, não esconde minha cara, abaixa a grotesca máscara da megalomania vespertina.
A noite, tão esperta, traz-me pensamentos intensos, reproduz desejos imaginários e me rouba o mundo.
A noite, tão mágica, afasta os medos, cria o incomum e só faz sonhar os lindos campos belos que já vi.
A noite, tão má, usurpa meu corpo, jaz a vida e infinita minhas reticências...

sexta-feira, 24 de maio de 2013

A dor da palavra (+)

Escrever é um ato de suicídio. Faz repensar o passado, analisar o presente e temer pelo futuro. Não queria ter memórias, não queria ter a necessidade de expressar assim o que sinto, até porque não é plenamente possível. Os detalhes cruéis da minha procura por equilíbrio são as inefáveis respostas que encontro em cada tentativa. Tentativas em vão.
Não gosto de me sentir vitimizado, ainda que entenda que o faça, mas ora, pelos Céus, como hei de resgatar-me dessa posição que estou fadado?! É absurda essa sensação de dormir sem saber como você vai acordar, ou simplesmente se você acordará são suficiente para viver. É espantoso pensar em morte como se fosse a próxima esquina. Ainda além, e como sentir-se meramente capaz de suprir as dores e aspirar novas perspectivas se a culpa por outra vida também está em mente? Por outras vidas...
Lidar com os meus fantasmas é como perfurar brutalmente a pele seca, diariamente, em busca de um perdão que não se tem - o próprio -, em busca de paz que não se tem - não é minha.
Desejei perecer, mas sei que não seria menos doloroso, e a culpa por estas outras vidas que fazem dependência de mim não permitiu que este ensejo passageiro fosse atendido. Agora há uma responsabilidade maior. Sucumbir, agora, seria além de suicídio, homicídio.
A vida que parece tão forte e sensata enquanto a vivemos, torna-se frágil quando há luta e desespero. Queria luz, ou entendimento, ou sabedoria... ou os três. Queria compreender minha situação, minha vida, entender os erros, aproveitá-los, queria saber viver, não queria apenas ver passar os dias, queria multiplicá-los. Queria que aquele dia, o vigésimo oitavo do mês de março deste ano, não começasse. Queria que eu não tivesse chegado em casa aquele dia. Queria não ter curiosidade. Queria não poder ler. Queria não entender... Queria não ter telefone. Queria não falar... Queria não chorar...
Não há terapia que apague tanta dor, não há assistência que suporte e repare meus cacos e ainda menos há palavras que descrevam dezessete dias agonizantes de interrogações que sucederam o vigésimo oitavo na subsequência. Só eu posso entender o que tenho vivido, só eu, infelizmente eu, posso sentir o que tenho sentido. Agora, que faço eu da vida sem vida?
Óh, meus dedos-olhos, desvendem com pressa, todos os amargos que rondam meus pecados...

segunda-feira, 25 de março de 2013

Há situações em que sinto necessidade de ter algo para falar. Geralmente eu tenho, mas não consigo as transcrever, ou falar; que eu engula seco essa gosma nojenta de hipocrisia e cinismo; que eu entenda de uma vez por todas; que eu me perdoe.

sexta-feira, 22 de março de 2013

Abismo

As manhãs e a solidão ao anoitecer estão sendo terríveis comigo. Eu não sei mais o que fazer por mim mesmo.
É engraçado como sempre condenei pessoas que se permitiam chegar neste estado e, hoje, vejo-me completamente entregue a um sentimento estranho, desconhecido e perverso. Apesar de negá-la todos os dias, eu queria ajuda; queria um empurro, um impulso de vida.
Não consigo resolver minha história, mudar o rumo, ou ter um rumo. O medo é algo permanente, sufocante como um quadrado de paredes sem ar.

As vezes fico pensando que eu sou a própria causa de minha escória, mas não permito-me aceitar estas reflexões, porque vivi até estes dias uma eterna busca por sentido, por sensações, por vida. Fui inocentemente maldoso em meus atos, puramente insano, jamais com o intento de afligir um alheio. Busquei o que a vida não concedeu-me, de variadas formas, das formas que as circunstâncias criaram e propuseram-me; sofria pelas circunstâncias, as consequências eram evidentes, mas cria que pudera eu ser perdoado. Não fui.

A minha história é confusa como os atos que me trouxeram a este estranho e precoce ato de fazer memórias, antes mesmo que elas concretizem-se. As lágrimas me levam à percepção de que a falta de costumes, hoje é roteirizada como a vilã de tudo.

Perdi o tato, a voz embarga e o destino não apresenta-se. Até quando suportarei?

sábado, 16 de fevereiro de 2013

36



36 sempre foi um número representativo em minha vida. Alguns sonhos e pensamentos da infância me levavam a um significado claro e objetivo. Significava o fim.
Hoje, talvez, eu entenda o porquê. Mas, para crer nisso, teria de aceitar as teorias sobre destino, premonição e mediunidade. Não sei se devo.
Fato é, preciso, dia-a-dia, insistentemente e incansavelmente fazer com o que esse número passe a ser quantidade, não fim.
Estou encorajado e acredito que possa encontrar felicidade no abismo de culpa que ronda os meus dias. Eu só quero que a culpa não me cubra de terra antes que eu possa vencer a primeira barreira dessa saga que terá início em breve. Este será o maior obstáculo que encontrarei nesta vida!
Hei de conhecer todas as minhas forças e fraquezas, independente do que elas revelem sobre mim, não ficarei estendido aos prantos. Vou brindar a vida em cada segundo com a mesma intensidade que sempre fiz.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Carnaval

"Guri, garoto, menino. 16 invernos completos, 17 no último dia do mês que vem. Louco, sem noção. Gremista. Futuro jornalista, economista, médico (?) ou simplesmente mais um perdido na América do Norte. Muitas dúvidas, poucas soluções. Esperança, às vezes lágrimas ou um sorriso chamativo. Apaixonado, coração me guia e eu não tenho como fugir. Mas não quero fugir! Moda, ah isso me fascina. Rock, outra paixão. Expectativas? Um inverno abaixo de zero e ser amado por ele, sim, ELE. Te amo."

Como as coisas mudam em minha vida... essa era descrição que me cabia há 5 anos atrás. Inocente, puro, cheio de sonhos. Aqui estou para escrever sobre outra coisa, que talvez seja a mesma, e ocasionalmente deparei com essas palavras que eu não sabia que estavam perdidas.







Meu Carnaval não está ensolarado. Um pouco porque quis, contraparte porque estava escrito. É intrigante como o "estar" sozinho causa-me conflitos de sensações - do êxtase ao desespero - e sigo ensaiando palavras que possa definir tudo isso.

Minhas alegrias são perturbadas. Os prazeres, deturpados. Os pensamentos que consomem segundo a segundo essa mente inglória, somem num espasmo, como se eu perdesse consciência e renascesse no próximo capítulo. O que me aflige afinal?

Os meus amores são infinitos, mas limitam-se na primeira fronteira de dúvidas.
Os meus desejos são incertos, assim como a vida!


 O final do desfile da Mangueira convoca,  e eu vou lá sambar com os olhos. Até a próxima sobrevivência!

sábado, 12 de janeiro de 2013

2013;

A vida parece mais equilibrada. Apesar de continuar sentindo uma angústia inexplicável, que me priva do sorriso puro e sincero, sinto que estou mais leve... ou menos carregado.
As dúvidas continuam sendo a grande vilã dos meus dias, ainda que eu aprenda erroneamente a lidar com estas, jamais serão um motivo de orgulho. A solidão vai e vem, assim como os momentos de prazer.

Acho que 2013 será um ano de superação, estou determinado a não deixar que as coisas aconteçam, e sim, fazer com que elas aconteçam, da minha maneira. Se vai valer a pena ou não, eu não sei, mas essa mudança de postura eleva a alma, rejuvenesce as ideias antigas e emana sonhos; confio em mim, eu preciso confiar. Apenas eu.

Feliz dois mil e crazy a mim, a vida, a todos!