Como tem se repetido sucessivamente, uma série de fatores mudam e alternam dia-a-dia. Tive de encarar uma dolorosa separação, que também poderia ser descrita como cruel pela forma e os motivos que levaram a esta situação. Superação talvez não seja suficiente, mas aprender a lidar com a ausência e as tristezas corriqueiras será essencial. Em contrapartida, algumas notícias animadoras em relação ao meu tratamento; vou bem, ao contrário do que pensava. Correspondo satisfatoriamente e é uma questão de rotina controlar o que acontecerá daqui para frente. Claro que isto não é confortável, como para ninguém que vivencia os meus males, mas já afasta a curto prazo as ideias pessimistas que inevitavelmente fazem parte de mim e de todos.
Um pequeno drama familiar instalou-se devido algumas situações que fugiram de meu controle. Medos, informações desencontradas e um pouco de azar estão contribuindo para que tudo seja um pouco mais difícil, ainda que o tempo se encarregue de consertar. O fato de ter de interagir sobre isso (meus males) com pessoas tão fundamentais e importantes é o que realmente torna tudo tão impossível. Essa situação familiar, aliás, tem tornado meus dias peculiares, pois me sinto como um adolescente conquistando novamente seu espaço, seus diretos e suas liberdades...
Liberdade, essa, aliás, é o grande tom do mês de novembro. Daqui exatos oito dias estarei embarcando para Florianópolis, minha primeira viagem após o terremoto que sacudiu a minha vida. Tenho um medo quase assustador das noites fora de casa, do que posso transparecer nelas e da "solidão" responsável. Mas também quero muito voltar a ser feliz e fazer o que mais gosto... sendo assim: não vejo a hora!
Mudando de alhos para bugalhos, o que realmente me trouxe aqui hoje foi uma necessidade sem igual de colocar para fora um sentimento de tristeza que me consome desde esta manhã. Uma conhecida, que pouco convivi há uns 6 anos atrás, época em que frequentei um projeto de canto coral e violão, veio a falecer na noite passada, decorrente de um linfoma raro. Já seria muito triste, além de tudo por ser uma menina tão jovem e cheia de perspectivas, mas as circunstâncias e o nível emocional que me encontrou fizeram com que essa notícia caísse como uma bomba. Passei o dia vendo fotos e palavras dessa menina durante toda sua luta e as lágrimas passaram a cair com maior intensidade. Quem vive essa realidade de sentir a morte próxima, ainda que física e/ou aparentemente você esteja bem (para terceiros, porque até que se consiga aceitar e conviver pacificamente com a enfermidade, me parece impossível para si mesmo), sabe como é doloroso e como mexe histórias como esta. Li o sofrimento de seus amigos e mãe, pensei em como seria se fosse minha vez. Senti a dor de todos que ali estavam sensibilizados. Provavelmente não me conformarei com seu destino e não arrancarei de meus pensamentos àquelas palavras e imagens, mas enquanto esse sentimento perdurar em mim, vou rezar e pedir para que sua alma esteja protegida e olhando por aqueles que precisam dela.
A vida é curta... é tão curta que quando percebemos, ela já está longa demais para nós e já é hora de cumprir uma nova missão!
Que o amor, a paz, a saúde, a luz e a vida nos acompanhem em todos os planos.
