domingo, 15 de julho de 2012

Sol de Inverno

E vai um alerta, afinal, quase sempre esses incidentes são camuflados para não ofender os interesses dos responsáveis interligados às autoridades.

O perigo dos buggies

Quando se fala em lazer no tão cobiçado Nordeste, o que primeiro vem à mente de muitos são passeios em buggies por sobre dunas brancas, tudo isso na maior paz e tranquilidade; isso é o que nós, turistas, imaginamos.
Mas a realidade pode se mostrar um pouco diferente.
Em geral, quando estamos num passeio turístico onde há esse tipo de  atração, somos seduzidos pela interação e diversão que essa aventura é capaz de nos proporcionar, além da visão privilegiada do local em diferentes pontos. É justamente nesse momento de descontração e relaxamento que não pensamos ou sequer avaliamos qualquer possibilidade de dano e/ou comprometimento físico-psicológico que estamos nos submetendo. Eles, bugueiros, esperam justamente isso de nós. Esses profissionais ganham dinheiro por passeio contratado, e, no afã de não perder um passeio, cometem muitas infrações (parar em local proibido, desrespeitar limites de velocidade - oferecem os chamados "passeio com emoção" onde a velocidade é absurda e irresponsavelmente elevada, levando em consideração que usam motores de kombi e fusca, antigos e quase sempre sem manutenção preventiva - e passar muito próximo de turistas que estão andando na areia da praia.
Vale lembrar que os buggies são mais inseguros que carros normais. A maioria dos buggies não tem cinto de segurança para os passageiros no banco traseiro, nem tem estrutura de proteção.
Juntando tudo isso, não é surpresa que ocorram, ocasionalmente, acidentes com buggy. Claro, óbvio, evidente que pesquisei dados técnicos e, juntando com minha experiência em praias do Nordeste onde presenciei a existência e operação dos buggies, montei este texto que espero servir como sinal de alerta a vocês, amigos que pretendem ou não desfrutar desse atrativo.

Hoje, eu tenho um exemplo que comprova o total despreparo e falta de fiscalização que há na execução desses passeios. Minha mamãe, anteontem, sexta-feira, motivada pelas belezas e a gostosa sensação que os buggies oferecem, quando seguros, decidiu se aventurar pela terceira vez, na praia do Gunga, em Barra de São Miguel, Alagoas. Ainda em estado de choque, ela não consegue ter discernimento de como livrou-se de uma morte certa; seu namorado e acompanhante no momento também não. Eu, hoje, após várias horas ouvindo cada passo e situação que ela viveu e descreveu, absolutamente emocionada e traumatizada, também não consegui entender, mas com veemência, só consegui e pude agradecer. Foi um milagre.
Após um descuido grosseiro, o bugueiro emergiu sobre a água e rapidamente foi de encontro a um banco de areia, que ocasionou um fortíssimo impacto e declínio do buggy, que então capotou algumas vezes. Minha mãe estava distraída, sentada, tentando captar um bom ângulo para suas fotos. Não teve tempo de reagir, e por estar sentada, não fora lançada contra a areia como os outros que por isso mesmo não adquiriram lesões. Capotou junto ao buggy, foi ejetada para o mar e depois viu o veículo descontroladamente pronto para esmagá-la, caindo em pé em sua direção. Foi aí, nesse momento, que relaxou, porque se sentiu morta, incapaz e rendida. Não havia tempo para reagir, para se mover. Surgiu então uma voz esperançosa e afoita, que disse: "Corre que dá tempo" e isso a fez despertar subitamente e conseguir um leve desvio, insuficiente para conter os traumas, a decepção, o estado psicológico e suas lesões e pesadas escoriações, mas suficiente para salvar sua vida.
O namorado, motorista, amigos e todos os outros turistas que presenciaram a cena estavam atônitos e inconsolavelmente em silêncio, em puro estado de choque com o que viram. Ninguém disse o que minha mãe ouviu tão claramente, ninguém ouviu, ninguém confirmou. Interpretem com sua fé e crença.
Após tudo isso, não havia ambulância, equipe preparada ou qualquer instrumento que pudesse ampará-la e resgatá-la. NADA!
Repentinamente um toque de recolher foi dado e em minutos já não se via nenhum bugueiro, nenhum buggy e "guia" oferecendo o passeio, ofertando "vantagens". Eles têm um esquema para camuflagem, mas não têm para socorro.
A chefe do bando então surgiu esculpida por ouros, tentando impressionar e intimidar, oferecendo uma falsa ajuda, seguida por representantes da WS TURISMO RECEPTIVO -  responsável por levar os turistas a este destino e que juntamente com o guia HELIO FILHO da agência internacional de viagens CVC, oferecia pequenos pacotes diferenciados para a região. Todos agem ilegalmente, mancomunados num esquema. Mas isso estamos cansados de saber, infelizmente.
O saldo disso é o pedido pessoal de mamãe para que alertasse os meus amigos: tomem cuidado, pesquisem, perguntem, exijam o cadastro de licença junto à prefeitura local, verifiquem as condições de segurança, estejam certificados de que não serão protagonistas de uma tragédia numa hora de alegria, divertimento e lazer. Por um segundo e alguns centímetros não perdi minha mãe, que aos poucos se recuperará e retomará sua rotina. Há pouco, ela disse que se sentiu como uma heroína quando, na ausência de socorro e ambulância, com uma marca de roda de buggy cravada no quadril, se levantou sozinha e saiu do mar.

Ela é uma heroína. Eu te amo, minha heroína.

domingo, 1 de julho de 2012

Eu sim, eu não

Eu vou te causar repulsa.
Eu sou alto, sou baixo, sou gordo e magro. Sou feio, mas bonito também; tenho pele de várias cores. Sou ateu, católico protestante e às vezes rezo. Sou gay, bissexual e hétero por hobby. Sou bipolar, não tomo remédios, já quis. Sou gaúcho, paulistano, tenho sangue italiano e latino-americano. Sou ryco com y mesmo, classe média com fervor e adoro lidar com as situações "pobres" do cotidiano.
Você não precisa lidar comigo, eu respeito o seu preconceito, mas não posso conviver com ele. Eu sou o que quero ser, eu posso ser tudo enquanto creio que posso ser. Eu sempre quero ser!
Enquanto estiver aqui, eu vou te causar repulsa. É melhor que tu abras a porta do infinito e não volte mais aqui. Serás tão feliz como eu, cada qual com suas convicções e virtudes.

EU NÃO ADMITO PRECONCEITOS.

Sobriedade

Ando numa sobriedade insuportável, quase surreal. Devo a mim mesmo este estado de paz.
Vivi uma crise a qual jamais cogitaria 1 ano atrás. Foi uma perturbação motivada por muita coragem e, principalmente, medos. Uma experiência complexa, feliz por seus pontos, infeliz por todas as suas vírgulas. O saldo foi uma reflexão de que a vida não era realmente um mundo intocável, e eu preciso abrir mão de alguns dedos para que continue os tendo; ao contrário do que eu pensava, não é torturoso, é sim vantajoso, duradouro e essencial.
Mas, voltando aos sóbrios, é bom viver assim! O coração pulsa, a mente funciona e todos os dias são o começo de um novo sentido!